domingo, 22 de janeiro de 2017

Experimentos em tecido dobrado

Férias são, para mim, chance de experimentar técnicas e padronagens que normalmente não consigo ao longo do semestre. Gosto, então, de dividir os resultados, e aqui vai outro, agora em tecido dobrado.

Tenho uma certa fascinação por esta técnica, não sei bem o porquê. Em termos práticos...nada. Gasta-se uma quantidade de fios muito acima do usual - claro, estamos falando de duas camadas de tecido, e não de uma - sem contar o tempo para calcular a largura, liçar, organizar os fios no pente...bem, tudo o que faz parte do processo. Intercalar as camadas, então, é um passo adiante, e saber quais camadas movimentar e como acompanhar a pedalada, outro ainda...ah, sim, você quer fazer padrões com as camadas intercaladas? outro planejamento. Então, nada de bom, certo? só trabalho e trabalho...




A hora que você vê resultados como esse...é como uma droga boa (se é que existe) - você VAI fazer de novo...e de novo...

Seguem o gráfico e explicações técnicas:


Muito bem, vou tentar fazer o melhor que posso para explicar,ok? 
A representação gráfica é igual a várias que já postei aqui, então ao olharmos rapidamente, temos uma representação de camada simples, e de fato, se quisermos liçar por esse gráfico, da maneira usual, nós podemos. A grande sacada é tramar como um tecido dobrado, ou seja, tecer duas camadas de tecido separadamente.
Eventualmente, e é o que o experimento representou, podemos separar as camadas E intercalá-las em alguns pontos da trama, e é isso que eu fiz. Neste caso, então, teremos locais onde as camadas se encontram, e depois se separam. Super bacana, porque padronagens diferenciadas surgem daí.

O gráfico acima, então, representa duas camadas: uma que é formada pelos quadros 1 e 2 (marrom), e outra que é formada pelos quadros 3 e 4 (amarelo). Quando olhamos a amarração, ou tie-up, (conjunto de 8 quadros no canto esquerdo, acima) nós vemos duas representações, lado a lado, dos 4 quadros, representando todos os movimentos que serão executados para conseguir o desenho que bolei. É preciso entender de maneira clara estes movimentos.
O primeiro conjunto (à direita), representa os movimentos que serão executados para tecer uma camada ACIMA da outra, enquanto o segundo conjunto (à esquerda), representa movimentos para que uma camada seja tecida ABAIXO da outra. Veja que o primeiro conjunto nos diz que para tramar 1 e 2, basta acionar estes pedais (lembrar que trabalho em um tear tipo jack, e não mineiro), que então os fios de 1 e 2 serão erguidos, e se trabalhados de maneira alternada (1,2,1,2, etc), formarão ponto tela. No entanto, nas regiões dos quadros 3 e 4, não haverá trama, mas somente fios da trama que passarão por cima dos fios do urdume destes quadros. 
Leia a pedalada (coluna à esquerda, embaixo do tie-up). Veja que inicio a trama com o fio marrom (o mesmo dos quadros 1 e 2), e começo acionando estes quadros, que formam a camada de cima. Assim, faço ponto tela com 1 e 2, e passo por cima de 3 e 4. 
Em seguida, eu vou trabalhar, com o mesmo fio marrom, a camada de baixo (urdume amarelo). Para tanto, de acordo com o tie-up, eu preciso subir primeiramente 1, 2 e 3, e deixar os fios do quadro 4 para baixo, passo o fio da trama, e depois, subo 1, 2 e 4, deixando os fios do quadro 3 para baixo. Trabalhando deste modo (4,3, 4, 3...) eu formo a camada de baixo em ponto tela. Não faz diferenca se eu trabalhar 3, 4, 3, 4...vou formar do mesmo jeito. O mais importante é trabalhar a camada amarela embaixo da marrom, de maneira separada. Veja que para completar a primeira parte do padrão, eu volto a trabalhar 1, 2, 1,2...etc, como no começo, com o mesmo fio marrom.

Se  ao longo do trabalho eu continuasse a repetir estes movimentos, eu teria, então duas camadas separadas, que seriam unidas pelas laterais (ou não, depende de como se deseja o tecido, mas isso é uma outra discussão). No entanto, o objetivo é intercalar a camada de cima com a debaixo, e é isso que faço com os próximos movimentos.

Veja que, ao acionar os quadros 3 e 4, eu trago para cima a camada que está embaixo (os fios sobem). deste modo, e neste ponto, eu promovo uma junção entre as camadas - os fios do urdume que então corriam separados, ficam como cruzados neste ponto. Trazendo então os fios 3 e 4 para cima, executo o ponto tela, e continuo os movimentos para fazer um desenho similar ao primeiro, mas agora com a camada amarela. O resultado são pontos de intersecção de camadas, que formaram o desenho das fotos acima.

Eu fiz um breve video complementar. Maiores detalhes, em uma apostila, em breve....




Até a próxima!

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