quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Good-bye, 2016...

E assim chegamos ao final deste cansativo e cheio de novidades 2016. É impressionante como estou me sentindo exausta, física e mentalmente; mais impressionante ainda é verificar que várias pessoas, muitas mesmo, estão se sentindo desta maneira, mais cansadas do que o normal para o fim do ano. Crises políticas, eleições (municipais), desemprego desenfreado - tudo isso abalou uma população como um todo, e eu, que sou parte deste povo, também tive minha cota de preocupações e mudanças em minha vida, algumas boas e outras nem tanto. Fato é que, embora cansada ao extremo, agradeço a Deus por ter chegado até aqui, e por tantas coisas acontecendo, peço desculpas pelo espaçamento de mais de um mês sem dar notícias.

A loja está bem, dentro do que se pode considerar bom para o momento. A mudança para o espaço novo trouxe novos ares, e obviamente, quadruplicou o serviço daqueles que a administram. Minha função, como lojista, é de manter meu espaço


 abastecido , e assim, produção foi meu enfoque para a loja em 2016. De março (quando ingressei) até agora, tenho tido a singela satisfação de ver vários de meus produtos serem vendidos, e ainda que isso não represente lucro significativo, representa certo reconhecimento, e devagarzinho as pessoas tem conhecido meu pedaço. Lembram-se da minha série de 6 tapetinhos de malha? pois bem, saíram todos, juntamente com outros que já estavam lá. Ao lado de outros produtos, tais como bolsas, carteiras, porta-batons, necessaires, etc, os tapetes tem feito certo sucesso, o que me deixa infinitamente satisfeita. Gosto de imaginar estas peças nas casas das pessoas, é um sentimento que me aquece, de verdade, e assim, ter meu espaço na A Sua Kara foi uma de minhas pequenas conquistas este ano.

Continuo a trabalhar como professora universitária, junto a pessoas que adoro e que são especiais para mim. O fato de ter um trabalho assalariado é verdadeiramente uma bênção em um mar de demissões, e agradeço profundamente aos céus por isso. Igualmente agradeço pelo trabalho de meu marido, que muito embora o mantenha longe de nós por longos dias, trouxe-nos até aqui dignamente.

O tempo não pára, e prova disso foi a formatura de meu filho, do ensino médio, no fim de semana passado, tão significativa para mim e meu marido. É o fim de uma etapa, e início de outra rodada de preparações.

Mas falemos sobre tapetes. Após minha série, iniciei outra sobre tapetes de malha, agora que apresentam alguns detalhes, tais como bordados, caseados, etc. É uma forma de mostrar que o fio de malha pode ser utilizado em vários tipos de aplicações diversas. Como padrão, tenho usado teares de pregos, que já estão na medida exata para o que necessito.

Um dos que fiz, e que foi vendido bem depressa, incluia bordados simples imitando flores, cujo passo a passo tentei registrar. Como verão, fácil e rápido:

Ao fazer a trama, corte um pedaço de um outro fio de malha à sua escolha, e vá passando por cima e por baixo da última 1/2 duite feita, conforme a foto. Ao chegar ao outro lado, passe a ponta para o lado do avesso.

 


A próxima 1/2 duíte será feita com o fio utilizado no bordado, em fio simples (note que tanto a trama quanto o urdume são feitos em fio duplo). A seguir, passe a trama normal, e cortando um outro pedaço de fio de malha, passe por cima e por baixo desta última 1/2 duíte feita. Note o padrão em flor formado. Depois disso, é só continuar a trama normalmente até o próximo ponto onde se quer fazer outra carreira de flores.



 Trabalho finalizado. Proceda com os acabamentos de praxe (correntinha, etc), tire do tear e lave. Esconda os fios soltos na trama pelo avesso.



Uma outra idéia que tive para um último tapetinho deste ano, envolve casear em toda a volta. O resultado foi fofíssimo:






E assim, encerro as atividades deste ano. Desejo a todos Ótimas Festas, e que 2017 venha com energia renovada. E, me aguardem, mais artesanato.
Obrigada a todos que me seguem, e espero que continuem a seguir.
Abraços a todos, e vamos às férias! ano que vem tem mais!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Uma história de 6 tapetes (parte final)

E assim chega ao fim esta história. 6 tapetes, 6 padronagens, 6 possibilidades de execução de desenhos utilizando cores diferentes com o mesmo ponto - tela.

Para o último, resolvi usar o branco,o cinza e o preto, tentando fazer uma transição entre as três cores, sem me preocupar muito com a métrica de distribuição. Aliás, isso é que foi o melhor: aleatoriedade. Como resultado, obtive uma padronagem única, quase impossível de ser reproduzida, pelo menos por mim, pois já não me lembro como fiz exatamente, e assim, o gráfico abaixo é somente uma mera representação que não corresponde fielmente ao real desenho, mas se aproxima:




Tive alguns problemas com esse tapete após a lavagem; a malha cinza é de um tipo diferente das demais, sem elasticidade, e portanto, sofreu menos com o fator encolhimento do que as outras. Como resultado, a distorção aumentou consideravelmente nas regiões onde o cinza impera. Nada, no entanto que não pudesse ser rapidamente arrumado, e assim o fiz. O resultado segue abaixo, que ficou realmente bem legal:




E assim, termina aqui a saga dos 6 tapetes, dos quais vários já foram vendidos, comunico com alegria. Agora, uma nova batelada de modelos me espera, pois já foram solicitados...entre outros produtos e experimentos que estou conduzindo paralelamente...ufa...e com o fim do ano, é claro que tenho que me apressar!

Obrigada a todos que me acompanharam nesta aventura. E até a próxima!

sábado, 22 de outubro de 2016

Uma história de 6 tapetes (parte 5)

E finalmente, o tapete n° 5 ficou pronto, entre várias tarefas e outros acontecimentos. Conforme prometido, os tons de terra predominaram, em um padrão de tons de verde entremeados por marrom terra, para o urdume, enquanto na trama, predominou o marrom e o vinho.  No gráfico, o verde claro representa na verdade um verde água.
É possível perceber uma certa aleatoriedade na distribuição das listras, e foi assim que planejei, mesmo - nada muito certinho, e que também vai predominar no tapete n° 6.




Para finalizar, e como tem ocorrido sempre, nada como um bom crochê em toda a volta, que foi feito com o fio marrom, para dar aos tons de verde um destaque. Pessoalmente, achei bem interessante, e já está na loja, esperando seu dono!




E para o último desta série, a mistura preto, branco e cinza.

Até a próxima!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Uma história de 6 tapetes (parte 4)

E finalmente, cá está o tapetinho n° 4. Desta vez, cores suaves e tons pastel, onde imaginei um quarto de bebê ou um ambiente suave e descontraído. Usei tons terminados em "inho", sabem? o azulzinho, o verdinho, o amarelinho e o rosinha, que combinados entre si, deram ao tapetINHO um ar bastante doce, típico das "candy colors":



A trama, muito simples, simplesmente é executada com duas cores para o urdume, uma em cada prego, e duas outras para trama, igualmente uma em cada prego. Como gosto de dizer, rápido, fácil e indolor:





Para o tapete n° 5, tons da terra: algo como vinho, tons de verde e marrom ferrugem...

Até a próxima!


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Uma história de 6 tapetes (parte 3)

O tapete #3 tem cores sóbrias e combinação correta...optei pelo marrom e suas nuances, para que combinados formassem um xadrez clássico. Achei bem bom para ambientes tais como salas de estar e escritórios, muito embora deva ficar bem simpático no quarto. O gráfico:




Desta vez consegui aproximar bem as cores do gráfico aos tons de marrom que eu tinha:





E o tapete pronto e lavado, ficou assim:






Para o próximo: cores clarinhas: azulzinho, rosinha, amarelinho, verdinho..., em uma mistura simples das quatro cores...

Até lá!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Uma história de 6 tapetes (parte 2)

Conforme combinei com vocês, o tapete 2 teria uma cara de Romero Britto...ou balinhas coloridas dentro de uma caixa preta... bem, enfim, qualquer coisa desta natureza (rs). Essa idéia do Romero Britto veio justamente do tipo de pintura que é característica deste artista, tão famoso dentro e fora do Brasil. A identidade conquistada caracteriza o tipo de desenho, e hoje em dia praticamente não tem pessoa alguma que não reconheça um quadro de Romero Britto:


A New Day - Romero Britto


É forte o traçado preto, como contorno das cores alegres e vibrantes  - verdadeiramente colorido. E foi com esse pensamento que resolvi montar meu tapete número 2:


O software para teares de pregos é um pouco limitado com relação às cores, como vocês já sabem, mas tentei pegar a idéia de um contorno preto forte para as várias cores que escolhi. Para este efeito, montei  o urdume com alternância entre preto e outras cores, em cada prego, e a trama segue toda em preto. O resultado? muito lindo (na minha humilde opinião...):



Fiz questão que todo o acabamento fosse em preto, para não fugir da idéia de contorno. E nesta semana, estará à disposição dos possíveis compradores.

Para o tapete 3: tons de marrom e um xadrezinho básico...

Até lá!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Novo site/new website

Sei que algumas pessoas que visitam este blog são de outros países, e portanto, lancei um novo site, bilíngue, onde todos, daqui ou fora daqui, poderão me acompanhar em minhas aventuras "tecelísticas"...se é que a palavra existe...



I know there are some foreign people who visit this blog, and because of them, I launched a new website, English-friendly, where everyone can follow my weaving adventures. Feel free to interact at any moment; I´d love to hear from you!


http://universoemtramas.wixsite.com/universoemtramas/inicio-start

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Uma história de 6 tapetes (parte 1)

Não tenho tido muito tempo para escrever aqui, como podem perceber...o blog anda meio largado, mas tenho me esforçado ao máximo para me manter em um post por mês, pelo menos...ou que apareça em algum momento de cada mês, rs..enfim, vamos lá.
Como sabem, vendo em uma loja colaborativa, o que demanda atenção àquilo que vende, e sobretudo àquilo que não vende e precisa ser reavaliado. Como a mudança para novo endereço, novos olhares, novo público, e uma exposição agora em larga escala (sim, aparecemos na TV!), traz um novo cuidado na escolha de peças, e eu ainda estou em fase de experimentação - o que vende? o que atrai? sendo assim, tenho procurado diversificar as peças, e mostrar coisas diferentes a serem feitas com tecidos artesanais. E, de novo, falo: tecelagem não é só para fazer tapetes e cachecóis! é para fazer TECIDO - o que vc faz com ele é outra história, e isso é que pretendo mostrar no curso que darei no próximo mês ou em outubro, ainda não sei. 
Mas, voltemos à história que quero contar, e que vou contar aqui ao longo da confecção de 6 tapetinhos de malha. Aparentemente, pessoas tem passado na loja à procura destes tapetes em tear, e assim, fui incumbida de produzir uns 6 em padronagens diferentes. Achei, então, que poderia ser interessante explorar quantas padronagens diferentes é possivel criar, partindo de uma mesma estrutura (ponto tela), somente modificando cores/ordem. Assim, convido vocês a me acompanharem neste aventura em 6 partes, 6 tapetes diferentes. 

Inicialmente, vamos às condições de trabalho. Estou usando um tear de pregos de 80 x 50 pregos, com espaçamento de 1 cm, bastante ideal para se trabalhar com fios de malha. Vou adotar o ponto tela como base, e a partir dele, explorar padronagens diversas, mistura de cores diversas, e para tanto, vou elaborar os gráficos. O primeiro tapete está pronto, e então já posso postar as fotos aqui.

Vou usar, para fins deste experimento, um software bastante simples, da empresa Harrisville Designs, especializada em teares de vários tipos. Este programa pode ser facilmente acessado na página deles, e não há download - tem que usar lá. O link: http://harrisville.com/pages/potholder-wizard




Como existe uma limitação de cores, o gráfico não corresponde exatamente à cor do tapete, mas a padronagem pode ser vista. Vejam que escolhi um padrão estriado para os dois fios de malha, que pode ser facilmente conseguido se as cores forem distribuidas alternadamente para o urdume (cada prego uma cor), e o mesmo ocorrendo com a trama. No entanto, é preciso se atentar para o fato que, dependendo da ordem assumida para a trama, listras horizontais podem surgir no lugar de listras verticais:


Tome por referência as duas flechas no canto esquerdo, acima (para teares de pregos, tanto faz se vc faz urdume da esquerda para a direita, ou vice versa, ou  se vc começa de cima para baixo ou o contrário):

Gráfico 1 (original): urdume começa com rosa e trama começa com azul - listras verticais
Grafico 2 (variação): urdume começa com rosa e trama começa com rosa - listras horizontais.

A confecção foi feita sobre o gráfico 1, então no sentido do comprimento do tapete, vemos listras verticais:



Após a lavagem e encolhimento, o tapete apresenta uma dimensão aproximada de 41 x 67 cm, que pode variar ligeiramente dependendo do fio de malha utilizado - nem todos apresentam a mesma espessura, e assim, fios mais finos tendem a compactar mais, e portanto a largura é um pouco menor. 

No próximo post: tapete 2 com um toque de Romero Brito...vamos ver...

Até lá!




terça-feira, 12 de julho de 2016

Novo projeto no ar!

Em férias, finalmente...tempo para pensar em novos projetos. Com a história da loja, me vi obrigada a tentar coisas diferentes, que como sempre inundam minha mente mas ficam ali, guardadas, por anos muitas vezes, esperando a vez para serem concretizadas. E com o inverno (bom, o fim dele, porque está calor, ao menos para mim), resolvi apostar na confecção de golas com um fechamento que tinha visto anos atrás em um dos meus grupos de tecelagem no Facebook, mas não conseguia me lembrar qual/quando/como/quem. É sempre assim comigo: a imagem fica fixada, mas todo o resto é um borrão...
Eu me lembrava claramente que  este fechamento era de uma "infinite scarf" ( ou cachecol infinito), assim chamado porque as extremidades são ligadas uma na outra, para justamente poder fazer as vezes de uma gola, ou um "cachecolar", um acessório de enfeite, vamos dizer assim, em casacos, etc. Bom, imaginei que se eu tecesse uma peça menor, eu poderia fazer simplesmente uma gola de duas voltas, e seria uma boa peça para venda. Infelizmente eu tinha que ter tido a idéia umas duas ou três semanas antes, mas tudo bem.

Teci uma, e vi que estava funcionando mesmo. Resolvi postar a foto do trabalho em andamento, e pronto: muito interesse em aprender. Aí resolvi fazer mais uma, e naturalmente pensei que seria um bom momento para um projeto. E por que não, um vídeo explicativo e totalmente gratuito lá no meu canal no YouTube?


Lancei o projeto, que já está disponível lá na loja da Amazon, juntamente com meus outros. Se alguém se interessar, os links estão aí, do lado direito deste blog. 

E para completar, hoje recebi fotos de uma seguidora, que executou a peça de maneira brilhante. Não podia ficar mais satisfeita!

E vocês, não vão tentar? este inverno com certeza já foi, mas o próximo logo estará aí!

Até a próxima!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Das novas parcerias e seus felizes resultados

Soube por intermédio da Toninha Miranda, amiga e superparceira de tear e afins, que ela tinha firmado, de maneira bastante tranquila, uma parceria com uma empresa de linhas - Rayza, que fabrica fios de polipropileno - que imitam seda, e podem ser usados em trabalhos diversos, desde vestuário até tapetes. Aliás, vale muito a pena visitar o site da empresa para ver os modelos de tapetes à mostra.

Despertou-me interesse imediato, por algumas razões: primeiro, fora a empresa Linhas Círculo, NENHUMA outra fabricante de fios se interessou em fazer algum tipo de parceria comigo, e muito embora já tenho trabalhos de sobra, e já tenha discutido esse assunto à exaustão, a resistência à tecelagem existe, e como já disse em outro post, abro meu caminho na base da picareta. Assim, quando surgem oportunidades de parcerias novas, já quero tentar também, mas com aquele pé atrás - provavelmente não vai dar certo...

Já pronta para o "não", escrevi às linhas Rayza, e mandei fotos de alguns trabalhos que já tinha executado com a mesma - pois já conheço o material há muito tempo, desde meu início na tecelagem, mas sempre usando o fio misturado a outros. E fiquei esperando uma resposta que não sabia se ia chegar, o que é meio padrão de algumas fabricantes - simplesmente não dão resposta alguma.

Para minha grata surpresa, a resposta veio no dia seguinte, plena de simpatia - claro que poderíamos formar uma parceria; eu podia, inclusive, escolher alguns fios de meu interesse (!!!!!!!!!!!), que me mandariam sem custo.

Ah, essa parte realmente é nova para mim. Sabem quando alguma empresa me ofereceu fios sem custo para confecção de peças teste? NUNCA. Realmente não preciso disto, posso dizer, mas tais ofertas nos fazem sentir valorizados, sabem, "pessoal de marketing destas empresas"????

Então, só posso (finalmente) iniciar este post agradecendo às Linhas Rayza pela oferta, inclusive tão generosa - 5 cones dos fios que desejasse, os quais recebi rapidamente, diga-se de passagem. Destes, usei 4 para esta peça:





Com os cones na mão, o que fazer? optei pelo tear de pente liço, e por uma peça de dimensões de um caminho de mesa. Iria, pela primeira vez, trabalhar somente com os fios de polipropileno, e submeter a peça à vários testes, que incluiriam inclusive passagem pela máquina de lavar.

Aproveitando o urdume, resolvi aplicar uma técnica bastante simples, a Renda Leno, que entremeada de regiões de ponto tela, me dariam uma boa noção sobre a resposta do fio em diferentes padronagens. Usei o pente 4:1, para fechar bem o ponto.




Aproveitei o momento e gravei alguns vídeos da execução da renda Leno. Estão disponíveis em meu canal no YouTube, e assim convido todo mundo para assistir e aprender comigo!

https://youtu.be/1mD5ZHk6JhE

https://youtu.be/e7TIABSb9Es

Retirado o trabalho do tear, passei então à lavagem, etapa primordial. Ao lavar, os fios se acomodaram  de maneira muito interessante. Fiquei então esperando a secagem, que já amaciava a peça. E aí, como o tempo não estava ajudando muito, resolvi fazer ainda mais um teste: o da secadora. Procuro evitar tal procedimento, mas como a peça estava levemente úmida,  achei que, bem, uns 20 minutos não fariam mal, certo?

Ao retirar, percebi que a secagem na máquina havia aberto um pouco os fios, acentuando as torções da renda, e encolhendo um pouco a peça. Essa abertura dos fios deixou a peça ainda mais macia. Tudo bem que as franjas viraram uma bagunça, embaraçadas...rs...mas nada como uma boa tesoura para resolver. O resultado final foi bastante interessante, e aqui está a peça pronta para usar:





E assim terminou este teste. Estou plenamente satisfeita, e cheia de idéias para outras peças. Tenho fios de sobra, e então esperem cenas dos próximos capítulos..

Até a próxima!

domingo, 12 de junho de 2016

Ponto sarja: das particularidades da padronagem e das observações (muito bem colocadas) de um sábio

Dia destes,  comecei um cachecol para meu filho. O que ele queria era simples: um cachecol preto.
Fácil, mesmo. Mas, dentro de mim, havia aquele certo desconforto, pois tenho um pouco de resistência à peças monocromáticas, aquela mania de achar que se jogar uma corzinha diferente, vai dar um visual novo, etc, e com essa idéia, interpelei: "mas, você quer preto, preto? que tal um fundo preto, com um pouquinho de cinza, uns toques de vermelho..." enfim, cheia de sugestões. Meu filho, pragmático, só me olhou e respondeu: "só preto, mãe. Preto."

Ok. Preto será. E, suspirando, tratei de preparar o tear, já imaginando o tédio, fora a dificuldade em enxergar (se você erra, fica difícil ver com um fio tão fininho quanto o que usei). Ah sim, esqueci de dizer que ele queria um cachecol "clássico", nada dos grossos, mas fino, elegante, assim como ele, mesmo...rs... E aí, fui tratar de achar aqueles acrílicos finos, para máquina de tricô, sabem? sendo alérgico, são poucas as opções, e lã, nem pensar. Resolvida essa parte, parei de enrolar e fui pensar o que fazer. E então, pensei que poderia, ao menos, tentar uma padronagem com um toque diferente do ponto tela, e resolvi partir para o ponto sarja, famoso pelas calças "jeans", casacos, cachecóis em xadrez escocês. O ponto é fácil, tão fácil quanto um mantra, porque você liça 4,3,2,1, do começo ao fim, e vai pedalar 12, 23, 34, 41, ou 41, 34, 23, 12, até o fim, e o desenho, uma escadinha, gera um relevo bastante agradável. Ou seja, após a décima duíte, é como uma doce canção na sua cabeça, com fundo do barulhinho tipíco dos pedais.
Comecei a tecer, e vi que, de fato, estava ficando muito bom, um clássico, realmente. O ponto sarja fazia toda a diferença, sem precisar de outras cores:



O padrão "escadinha", tão típico da sarja, muda toda a paisagem, e o "preto sobre preto" fica diferenciado. Notem que a escadinha está subindo para a direita, formando um padrão Z ( só chamado assim por causa do "corpinho" da letra). Do mesmo modo, se  a escadinha subisse para a esquerda, seria um padrão S (mesmo motivo do Z). S ou Z se estabelecem quando mudamos a pedalada: se vc pedala 41, 34, 23, 12, vc terá um padrão S, e se pedala 12, 23, 34, 14, o padrão será Z. Uma tecnicalidade que vai dar na mesma, porque S e Z são imagens espelhadas do mesmo desenho. O que ocorre na frente do trabalho terá sua imagem espelhada no avesso.

No entanto, citei aqui porque se por acaso um gráfico for seguido para a execução da sarja, é possível notar que o mesmo representa o contrário do que falei:

 

Esquerda: padrão S; direita: padrão Z


Em um gráfico, a leitura usual é que seja da direita para a esquerda, e de cima para baixo. Assim, o padrão S teria um sequencia de pedaladas 12, 23, 34, 41 - o que é correto, se fosse tecido de cima para baixo. Entretanto, nós tecemos de baixo para cima, o que nos leva a um desenho Z (direita), e não S; obviamente, o contrário também vale. Assim, se você faz questão de desvios à esquerda ou à direita, deve prestar atenção a este detalhe, uma entre algumas exceções em um mundo de gráficos existentes - uma particularidade desta padronagem. É exatamente o que está ocorrendo no cachecol que estou tecendo. Minha pedalada é 12, 23, 34, 14, mas meu desenho é de padrão Z. Para mim, está perfeito, mas se eu realmente fizesse questão de um padrão S na frente do trabalho, eu teria que pedalar 14, 23, 34, 12. Esta questão também não tem importãncia, porque seria só virar o trabalho ao terminar, que lá estaria o padrão que desejo, e pronto, resolvido o problema. Chegamos à conclusão que tanto faz, mas achei interessante pontuar isso, porque posto gráficos a todo instante, e alguém  menos experiente poderia achar que está fazendo algo de errado, quando não está. Para resumir a ópera: se você quiser ver S, tem que pedalar como Z, e vice-versa, ou então, termine o trabalho e veja o que procura no avesso - de qualquer jeito, vai encontrar o que quer.




E por falar em gráficos, cheguei a postar em minha página no Facebook um gráfico de ponto sarja, e no enunciado falei que era para teares tipo "Jack type" (quadros que sobem), porque os teares mineiros tem quadros que descem, e dependendo do desenho, isso pode ser um problema - ao seguir um gráfico feito originalmente para teares Jack Type, o avesso acaba aparecendo na frente, e vice-versa. Como já falado, isso não ocorre para o ponto sarja - o desenho é o mesmo, somente o desvio será para um lado e para o outro - ou seja , S na frente, Z atrás; Z na frente, S atrás - Tudo a mesma coisa!













à esquerda: twill (Jack Type - quadros que sobem); á direita: contrabalanço (quadros que descem)



Prof. Rodrigo Monteiro (o Tecelão) rapidamente fez esta observação, e eu então respondi que, realmente, os desenhos seriam iguais, mas que não custava avisar. Assertivo, me mandou uma outra mensagem:  didaticamente, era mais importante falar sobre a exceção (avesso é igual ao direito). De maneira gentil e indireta, sugeriu que, se era para ensinar, que fosse direito (rs), começando por corrigir a redundância do post, e explicando o gráfico - o que está totalmente correto. Assim, tento me redimir aqui, procurando obedecer ao professor - pois é assim que deve ser. Espero ter sido bem-sucedida!

Havemos de ser profundamente gratos por aqueles que se dispõem a nos ensinar, com cuidado e sem arrogância. Ainda chego lá!

"Touché, Prof. Rodrigo. Obrigada por mais esta lição".


Até a próxima!


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Pesquisa: que projetos em tecelagem gostaria de adquirir?

Olá, meu povo. Preciso de ajuda com uma pesquisa para meu novo projeto, e gostaria de saber o que vocês querem ver em tecelagem, e como posso atender seus desejos. Deste modo, deixei uma pesquisa simples, e peço que vocês por gentileza, respondam, ok?

https://www.onlinepesquisa.com/s/4a5212e


Aceito também comentários neste post!

terça-feira, 29 de março de 2016

Quanto cobrar pela peça?

Pergunta difícil de responder em tempos atuais...mas que ao mesmo tempo, importantíssima. Sempre penso nisso e sempre acho difícil chegar a um denominador comum. No entanto, assisti a este video da Luciana Ponzo, artesã que faz parte da equipe Círculo, e achei bastante interessante a maneira como ela ensina a calcular o preço final. Deste modo, deixo aqui o link e convido a todos a assistirem e tirarem suas próprias conclusões sobre o assunto!



Até a próxima!

domingo, 20 de março de 2016

Da tomada de decisões e das doces notícias: e não é que a "Portuguesinha" fez bonito mesmo?

Esta semana foi de eventos importantes, especiais e únicos, que vieram da surpresa  - isso mesmo. Mas vou começar do início, como deve ser...rs...

A primeira loja colaborativa de Mogi das Cruzes foi (re)aberta dias atrás. "A sua Kara" já existia anteriormente, mas com a mudança de ponto, a loja foi reinaugurada, e por meio do Facebook, fiquei sabendo de sua existência, bem como da oferta de espaços para aluguel.

O conceito de "loja colaborativa" compreende um local onde artesãos e outros comerciantes podem alugar "boxes" ou caixas, pregadas nas paredes, que representarão suas "lojas". Cada espaço deste tem seu preço de aluguel, e para cobrir as despesas com taxas de cartões, embalagens, etc, uma porcentagem das vendas segue para os proprietários da loja colaborativa. Cada artesão/comerciante não precisa ficar no local, pois a administração se encarrega de fazer as vendas; assim, tudo o que se precisa é levar seus produtos até seu "box", arrumar como desejar, e deixar o resto por conta dos administradores, que farão o acerto das vendas mês a mês. É claro que existem contratos claros sobre como vão proceder as transações entre lojistas, administração e clientes, e uma vez tudo acertado, pode-se começar a vender. Considero esta uma forma vantajosa, uma vez que não preciso me preocupar com funcionários ou outros gastos relativos à luz, água e outros tributos, que realmente pesam quando se é informal, como é meu caso. E foi pensando nisso que ensaiei por dias à fio antes de me decidir passar pelo local e entrar.

Ao entrar, conheci os donos, dois rapazes simpáticos e atenciosos: Leandro e José Luiz. Entrei no pequeno espaço e comecei a olhar as caixas nas paredes, algumas já prontas e várias reservadas - tudo muito aconchegante. Ao atravessar para a sala seguinte, vi uma estante quadrada, que à princípío passaria desapercebida, mas que de alguma maneira, me chamou a atenção. Perguntei então se estava apta para alugar, e diante da afirmativa, levei mais ou menos uns 10 minutos para fazer a pré-reserva e deixar um depósito. A partir deste momento eu tinha 1 semana para colocar produtos na estante, ou perderia a vaga. Agradeci, e com o coração aos pulos, fui embora, meio alegre, meio apavorada: onde eu estava com a cabeça? assumir um aluguel, em um contrato trimestral? como assim?

Ao chegar em casa, fui ver o que já tinha pronto, e por sorte, tinha algumas coisas interessantes. Nessa altura, comecei a ficar mais animada, e comecei a pensar na experiência como uma coisa positiva, no mínimo. Ao longo da semana, pude preparar o arsenal: mais produtos, cartões de visita, banner. E então na sexta-feira, dia 18/03, minha "lojinha" foi finalmente inaugurada, com a ajuda especial do José Luiz, que arrumou tudo perfeitamente:




O banner ainda precisa de ajustes, e eu tenho pouca coisa à venda...mas aí estão minhas "obras". E aí, ontem já fiquei sabendo que vendi duas bolsas...uau...e silenciosamente agradeci ao "cara lá de cima"... e fui tratar de trabalhar, porque agora, ficou sério!

Para quem quiser conhecer mais da loja colaborativa "A sua Kara", acesse a página no Facebook:
https://www.facebook.com/asuakara/

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E hoje, para arrematar, recebi uma notícia inusitada, sobre um assunto que, para ser bem sincera, tinha esquecido totalmente, dadas todas as coisas que aconteceram desde o início do ano: o Concurso Cultural da Círculo "Eu Amo Barroco". Eu falei dele em um post em setembro do ano passado, quando o concurso foi aberto (http://universoemtramas.blogspot.com.br/2015/09/ta-meio-portuguesinha.html). Fiz a inscrição, montei a peça, e enviei, mas tinha a certeza que não seria classificada...não dá para competir com crochê e tricô, vocês sabem...mas o importante é estar no meio!

A classificação saiu agora, dia 15/03, e embora eu soubesse, tinha esquecido completamente. Hoje por acaso abri o Google+ e foi com um misto de total surpresa/alegria que vi meu nome entre os 20 primeiros colocados, em um grupo de mais de 120 trabalhos, de acordo com a Círculo. Quando olhei, tive que ler de novo, pois não acreditava: lá estava a "Portuguesinha", em 18o. lugar! e ainda ganhei um prêmio: 1 novelo de Barroco + uma agulha! amei!!!!




Que fim de semana, pessoal! quantas notícias, novidades. Minha cabeça ainda não parou de rodar. Muito a fazer, e tão pouco tempo. Vejo as rodas do tempo se movendo, e eu tentando acompanhar, mas juro, não estou infeliz, de jeito algum...

Até a próxima!!

quarta-feira, 9 de março de 2016

Urdidura pintada à mão - uma ótima idéia! (4 anos depois)

Tenho um post, de 2012, que é bastante popular entre pessoas de outros países que visitam o blog. Nesta postagem falo sobre a idéia de um membro que pertencia a grupo de tecelagem em pente liço, no Facebook,  e que pintou à mão sua urdidura (http://www.universoemtramas.blogspot.com.br/2012/01/urdidura-pintada-mao-uma-otima-ideia.html). Achei incrível a simplicidade, e ao mesmo tempo, o brilhantismo, do emprego da pintura em tecido para complementar a tecelagem - e com efeitos visuais maravilhosos. No entanto, eu mesma não me aventurei, preferindo aprender mais sobre a tecelagem em si, mas reservei a idéia no fundo da mente. Ao longo destes mais de 4 anos, realmente fiz quase tudo o que compreende a tecelagem em si; aprendi técnicas complexas, cálculos mirabolantes, e teci peças que achava que nunca ia tecer na vida. De fato, estudei e apliquei muito do que eu queria aprender, e continuo a me aprofundar cada vez mais.

Mas, aquela idéia de 2012 não me abandonou. E então, após tantos anos, resolvi, há alguns dias atrás, me aventurar na pintura do urdume, e ver o que daria - afinal, o que teria a perder? somente tempo, fios, dinheiro da tinta...

Veja, eu não sei pintar ou desenhar - nada. Meus desenhos conseguem ser mais elementares do que os de uma criança de 3 anos. Aliás, meu filho já desenhava muito melhor do que eu, nesta idade. Então, tinha este bloqueio, que me levava a um total desinteresse por pintura em qualquer superfície, incluindo tecidos. Jamais me interessei por tintas e pincéis, aliás nem sei número, tipo, etc. Mas, de alguma maneira, e não sei o porquê, eu achei que tinha que tentar, e então munida de algumas tintas para tecido e pincéis escolhidos ao acaso, montei uma urdidura de barbante e comecei.



Usei um gabarito para quilt que eu tinha, nem sei o motivo. Com uma caneta para tecido, comecei a rabiscar. Depois pintei, e pintei mais um pouco. Horroroso, é claro, mas de maneira curiosa, me diverti fazendo isso. Após esperar umas duas horas, mais ou menos, teci com o mesmo barbante.



Apesar de não ter ficado exuberante, o efeito "esfumaçado", por assim dizer, mostrou-se bastante promissor. Fiquei imaginando, então, o que mais eu poderia pintar sobre uma urdidura. Adiantei o trabalho e me preparei para mais uma sessão.



Explorei um pouco mais aquele gabarito, mas vi que não era o mais adequado. Fiz alguns desenhos livres, com várias cores, e enquanto esperava secar, fui para o computador achar gabaritos para pintura - bingo! achei vários e, é lógico, comprei. Á esta altura, já estava BEM animada - o que houve, não sei, mas queria ver até onde poderia chegar. Quando secou, teci.



Já tinha ficado, na minha muito humilde opinião, bem melhor que o anterior, e não tive dúvidas: tinha que fazer mais. Isso já era início da tarde. Tinha passado a manhã inteira, entre casa, cachorro e supermercado, pintando e tecendo. E, não -  decididamente, não estava entediada!


Optei por algumas formas geométricas, em azul, lilás e violeta.



Tecendo, me apaixonei totalmente. Tinha ficado lindo! neste momento, tive que parar, pois já era fim de tarde (!!!) e eu tinha que ir ao trabalho (sou professora). Foi com pesar que deixei tudo no ateliê.

Ao voltar, nâo resisti, e resolvi só dar uma olhadinha final. E, por que não, pintar mais um pouquinho?




No dia seguinte, parti para tecer aquele desenho.



Incrível, não é? fiquei imaginando um tapete muito louco. Ah, sim, aquilo ali em cima é o gabarito para pintura que fui comprar no centro da cidade, pois não tive paciência para esperar pelo correio...humm...rs...

E adivinhe só? hoje já deixei pintada a parte final deste urdume, que será tecido amanhã:



A parte final desta história, queridos, só saberão no fim de semana, quando eu finalmente puder lavar o tecido. Ainda espero detalhes de encolhimento e resistência da tinta. Adianto que já pintei outras urdiduras, e minha mente está inundada de idéias - alegria define.

Aguardem o final!

Até a próxima!!!