quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Waffle weave em ação (parte final)

E, conforme prometido, seguem fotos do produto agora terminado. O efeito "waffle" é definitivamente visualizado após a lavagem, com relevo bastante evidente. O tecido é bastante diferente, mais fino, do que uma toalha comum, o que já sei como contornar, mas o poder de absorção da água pode ser percebido facilmente. Optei por um acabamento mais simples das bordas, sem franjas ou outros enfeites, somente dobrei e costurei à máquina.


Seguindo as instruções, tive somente uma diferença de 26 cm a menos do previsto, o que me deixou MUITO satisfeita, uma vez que após a lavagem, o encolhimento previsto foi menor do que o esperado - acertei em cheio na largura, e ainda tive uma peça uns 10 cm maior do que o previsto. Esta diferença, portanto, não prejudicou em absoluto o produto final. Algumas coisas no entanto devem ser consideradas: usei um algodão que não é 100% puro, mas sim  reciclado, ou seja, há mistura de outras fibras, o que pode influenciar no produto, e talvez por isso, não tenha ficado tão macia. Há também a própria individualidade: cada artesão vai manipular de maneira diferente seu tear, seus fios, e assim por mais que exista uma receita, os resultados nunca serão iguais. E esta é a beleza do negócio.

Assim, fiquei com uma toalha de banho de dimensões 70 x 1,50 aprox. Nada mal para uma primeira vez!
Até a próxima aventura!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"Waffle weave" em ação

"Waffle Weave" é um tipo de padronagem que promove ao tecido um relevo típico, com aspectos tridimensionais, cujo nome vem justamente da semelhança com os famosos "waffles" (tipo de massa assada de farinha e ovos de origem belga, e que são prensados em chapas quentes quadriculadas). Tal consistência permite uma boa absorção da água, e portanto é largamente utilizada para a confecção de toalhas  na tecelagem manual, uma vez que, ao contrário do que se conhece como "terry cloth" (o tecido típico de toalhas de banho, cheio de vilosidades), cuja execução em teares manuais é demorada,  tecer em "waffle weave"é fácil e relativamente rápido. Pensando nisso, resolvi tentar seguir as instruções em uma revista de tecelagem que assino, para a execução de uma toalha de banho...achei que seria um "upgrade" na minha humilde carreira como tecelã...rs...



 A liçada é bastante fácil, e segue um padrão comum: 1-2-3-4-3-2-1. A pedalada é bastante simples também; no entanto, se o tear usado tem uma amarração direta de pedais aos quadros, como o meu (pedal 1 - quadro 1; pedal 2 - quadro 2, etc), é preciso somente ter cuidado na hora de pisar 3 pedais juntos (mov. 4 e 5), pois com apenas 2 pés, tenho que, como o pé esquerdo, pisar com o calcanhar no pedal 2 e com a ponta do pé no pedal 1, e com o pé direito, pisar no pedal 4 ou 3. Se os quadros não estiverem bem levantados, a trama ficará errada, e o efeito visual do "waffle" pode se perder. Os movimentos 4 e 5 são fundamentais para este efeito, pois promovem "flutuações" dos fios da urdidura em camadas, que vão ter profundidade assim que o tecido for lavado - outro aspecto bastante interessante deste tipo de padronagem.



Ainda não terminei minha peça, até porque o drama ficou por conta do urdume...tendo que cortar 842 fios de algodão não mercerizado 8/2 (fino, tipo Cléa, por exemplo), em 4 cores diferentes, já dá para imaginar a confusão para organizar estes fios nos pente, pois passo os fios da frente para trás, ou seja, primeiro pelo pente e depois pelos liços. Ainda, o projeto diz que os fios devem ser organizados em 2/fenda em um pente 5:1, para compactar mais o trabalho e aumentar a absorção de água, MAS devem ser liçados um a um. Se fossem todos da mesma cor, não haveria nem um pingo de stress, mas não foi o caso e aí tive que ter cuidado na hora de organizar a ordem das cores. E, claro, sofri uns dois dias para desembaraçar tudo, pois tive a brilhante idéia de urdir cada cor separadamente, ao invés do que se preconiza quando há mais de um cor presente: urdir os fios NA ORDEM da liçada. Eu quis fazer isso? claro que não. Toma, besta. Outra lição aprendida para 2015. Teve momentos onde ficou tudo tão embaraçado, que minha vontade era cortar tudo e jogar fora. Fico feliz que não desisti...kkkk...afinal, cada fio dos 842 tinha 3 m...ufa...

Passado o sofrimento, amarrado, pronto: comecei, e neste momento, estou a caminho do fim. Tirei esta foto:


E também fiz um pequeno vídeo mostrando-me em ação, com a câmera de cabeça do meu filho. Não ficou muito bom, mas dá para "tecer comigo". Vou melhorar as próximas filmagens para "aprimorar a experiência".
 E, claro, assim que ficar pronta, já venho postar os resultados aqui. 


Em tempo: abri minha loja, seguindo minhas resoluções. Estão todos convidados a dar uma passadinha...


Até lá!