quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Resoluções para o Ano Novo

Bem, queridos leitores, esta é a última postagem do ano. E para abrilhantar este texto, detalhes da última aventura vivida, que, é claro, tem boa dose de drama, um final feliz, como tem que ser todas as histórias de amor/ódio...rs..., e lições aprendidas (espero), que fazem parte das famosas resoluções de Ano Novo. Sei que hoje é véspera de Natal ainda, mas nada como estar adiantado...

Tudo começa com um gráfico:

Este desenho, criado por mim, foi umas daquelas surpresas felizes. Sentei-me ao computador e sem esperar muito comecei a desenhar a liçada e o "tie-up". Para a pedalada, simplesmente repeti a ordem da liçada.  Chamei este desenho de "sweetie". Avaliado por minhas fiéis colegas do grupo 4-shaft weaving do Facebook, ficou decidido que era bom o suficiente para ser testado, e foi o que fiz, após algumas semanas.

Passei, então, à execução propriamente dita: decidido qual seria o teste (optei por um caminho de mesa, por ser fácil de fazer e não necessitar costura ou corte), cortei os fios da urdidura, e reservei, pois antes tinha algumas coisas à resolver no tear que iria usar, o de 4 quadros de mesa, que carinhosamente chamo de Lucy.

Pois bem, semanas antes eu havia decidido trocar todos os liços por novos, e aproveitando o trabalhão (envolve desparafusar, entre outros...ufa...), resolvi colocar uma quantidade bem acima do que tinha, originalmente, uma vez que facilitaria liçar para qualquer desenho - ou pelo menos assim eu pensava...

Após metade de um dia parafusando e desparafusando, colocando liços, finalmente estava pronto: agora eu iria, finalmente, passar os fios pelos liços, tinindo de novos.
Sentei-me, e me preparei para começar. Já de saída, identifiquei um pequeno problema: o número de liços acima estava me atrapalhando para pegar os fios e passá-los pelos orifícios, pois estavam muito juntos uns dos outros, e eu precisava de espaço para passar minha mão entre eles e puxar o fio atrás. Tinha que fazer uma certa força. Com mais de 200 fios para passar, comecei a ficar meio cansada do esforço, e então, depois de meia hora lutando, desisti, e voltei à caixa de ferramentas do marido, pois precisava TIRAR liços para haver mais folga entre eles...pelo amor de Deus...

Ok, mais meio dia de serviço.

Ainda deixei liços a mais, mas agora eu conseguia liçar sem dificuldade, e deste modo continuei meu trabalho. Após terminar a liçada, decidi que vou abrir os quadros e retirar mais alguns...algum dia no futuro...

Agora, a parte fácil, que era amarrar e finalmente começar...oba...

E outro problema se instaurou: combinação de cores. Eu tinha uma urdidura de algodão cru, e como a peça seria executada em duas cores somente, a cor da trama era fundamental, pois seria o destaque. No desenho original, imaginei as cores branco e preto, mas não quis um centro de mesa assim, e portanto imaginei que cru seria uma cor clara boa e de fácil combinação. E aí, meus queridos, mentira maior não há.

Tentei começar o desenho com marrom, em uma combinação clássica e óbvia. Blah, blah, blah...quase morri de tédio pois não conseguia ver o desenho e o conjunto era mais sem graça que picolé de chuchu. Infelizmente não tirei fotos, pois me apressei em cortar o que tinha feito, amarrar de novo e tentar novamente.

Achei por bem tentar um azul, tal como um Bic, e comecei de novo. Bolei uma bainha meio diferente, e fui tentando... insistindo...depois de um certo tempo, achei por bem jogar uma terceira cor, como preto, por exemplo...e acabei achando que o preto seria minha solução. Adivinhem? cortei a trama e comecei de novo:


Ai comecei tudo de novo, com preto. Achei que tinha acertado no contraste, mas odiei ainda mais. Agora, já estava ficando desesperada, por achar que o desenho que tinha criado só servia para o computador. E claro, cortei fora!

Fiquei passada. Já tinha perdido mais de 3 dias sem avançar na peça, e não conseguia ver a padronagem. Precisava tomar uma atitude antes do impensável: tirar toda a urdidura e lançar ao lixo!!
Parei tudo, e fui dar uma volta, para desanuviar a mente e me ocupar de outras coisas. Disse a mim mesma que só voltaria a hora que estivesse tranquila para decidir.

E assim o resto do dia passou, fiz o que tinha que fazer em casa, arrumei, lavei, dei telefonemas, enfim, me ocupei das tarefas rotineiras, sem entrar no ateliê por um segundo sequer. Á noite, senti-me tentada a olhar minha opções, mas já estava cansada, e achei por bem encerrar o dia. Na manhã seguinte, entrei no ateliê decidida a fazer aquela padronagem funcionar. Com a mente mais descansada, comecei a procurar entre tantos fios que tenho, alguma opção diferente, e encontrei, entre eles, um fio cereja/vinho de algodão mercerizado. Imediatamente aquela sensação boa tomou conta - eu tinha achado a cor. Comecei imediatamente, e vi que a mistura era boa, alegre. Durante os trabalhos, tive a idéia de melhorar o gráfico, acrescentando alguns elementos simples, sem perder o desenho original. E animada, comecei a ver o desenho. Mais importante, comecei a REALMENTE gostar dele!



E assim, continuei...


Até chegar ao fim, quando finalizei com a mesma bainha, e cortei os fios, maravilhada. E não é que tinha ficado lindo?
Coloquei para lavagem, e sem paciência para esperar a secagem natural, coloquei na secadora. Achei uns acrílicos que tinha, e coloquei nas franjas. Adicionei crochê às laterais, e estava pronto!


Achei que as franjas mereciam um tratamento bacana, e assim, resolvi torcê-las:


E por fim, foto comemorativa:




E assim terminou a saga...que começou difícil, mas terminou lindamente. E com ela, minhas reflexões para o novo ano que se aproxima. E resoluções, sim, algumas, relacionadas à tecelagem e minha relação com ela:

1. A primeira delas é: controlar os gastos com fios. Este trabalho, por indefinições no começo, perdeu mais de 1 m dos 2,50 m originais, o que não pode ocorrer, de jeito algum.
2. Abrir minha loja, pra valer. Passei o ano inteiro planejando, mas acabei não executando de fato. Fiz produtos, mas não coloquei para venda. E agora, preciso resolver isso seriamente. Já está na hora.
3. Não tomar decisões quando se está cansada ou pensando em outras coisas. Muitas vezes é difícil, mas em se tratando de cores e desenhos, o impacto é profundo...rs...
4. Acreditar mais no trabalho que executo. Cada vez mais me convenço que perfeição é apenas um ponto de vista; arrogância, um modo de vida mesquinho e solitário; confiança em si, um caminho a ser seguido. Não há nada de mal em valorizar-se - se você não o fizer, quem o fará? - mas é preciso conhecer o limite entre achar que vale e realmente sentir que vale. Quero o segundo, sem dúvidas.
5. Divulgar ainda mais esta arte, tão carente de seguidores. Durante este ano, tive a grata satisfação de trazer alguns "convertidos" para o lado brilhante da força. Espero continuar a fazê-lo.
6. Por último, e mais importante do que tudo: Ser feliz fazendo o que gosto, cercada de gente que amo e que me ama, também.

Assim, desejo à vocês, que eventualmente leem estes textos, toda a felicidade e esperança que a energia presente no fim de cada ano traz. Ótimas Festas à todos, e até o ano que vem!

Um comentário:

  1. Primeiramente, feliz natal.Assim como você eu também sou tecelã, ainda por cima do tipo solitária porque vivo numa região serrana do Espirito Santo, estado esse onde oficio de tecelã é praticamente inexistente. Estou nessa, tecendo a mais de 20 anos e adoro! Agora começo de dezembro eu abri um espaço de trabalho e venda dos meus produtos, se chama, "Paiol das Artes ".Paiol porque realmente foi um paiol, foi restaurado e hoje eu estou ocupando e tem tudo a ver com o que eu faço. Claudia eu estou de acordo e compartilho de suas reflexões e resoluções para o próximo ano e costumo a dizer que nós, tecelões somos pessoas agraciadas e ao mesmo tempo temos uma missão que é perpetuar este oficio tão nobre e antigo e agraciados porque Deus nos deu essa ferramenta, a tecelagem, para que possamos de forma muito agradável conquistarmos a paciência e a tolerância que são elementos de extrema necessidade nos dias de hoje. Por tanto, vamos nos valorizar e manter-nos unidos, somos poucos pelo mundo, né? te desejo um 2015 cheio de realizações, alegrias, amor no coração e saúde. Abraços Amaryllis.

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