sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Reta final - rumo a 2015, mas antes, uma passada rápida pelo túnel do tempo...

Uau, nem percebi como este mês passou rápido. Entre provas, notas e aulas, quase não tive tempo para traçar novos planos em tecelagem. No entanto, algumas encomendinhas de última hora não me deixaram sem tecer, e o projeto, para dois porta-trecos, acabou sendo como sempre interessante e surpreendente.
Minha tia Marisa precisava de dois presentes para ofertar a suas amigas no Sul. Resolveu, então, me pedir para fazer dois porta-trecos, iguais a um que dei a ela 4 anos atrás.


Foi uma única peça, feita de 5 quadrados tecidos em tear tridente. Eu estava começando, e em fase de "experimentação" das várias técnicas em tecelagem. Lembro-me que estava começando no tear de pente liço, que havia comprado de uma moça de Suzano, a Raquel, e que me vendeu, entre tantas outras coisas, um conjunto de 3 teares tridente, que tenho até hoje. Estes 5 quadrados feitos com fio de algodão foram as primeiras peças a serem tecidas neste tear. A idéia original (eu sempre com minhas idéias originais que mudam ao longo do caminho...) era fazer um caminho de mesa; por algum motivo que já não me lembro, não segui com os planos, e resolvi fazer uma coisa diferente: costurar as extremidades e fazer um bolso central. Fechos em velcro, e pronto, já tinha uma peça pronta e aparentemente útil (afinal, quem não gostaria de um porta-trecos diferente?) Fato é que nunca a vendi, porque ninguém a quis, e acabei por presentear minha tia. Fiquei surpresa quando ela me contou, recentemente, que usava muito o porta-trecos, para transportar lingeries e outros em suas viagens - de fato, era muito útil. E, em um destes momentos, sua amiga se encantou pela peça. Ela, então, achou que seria o presente ideal para ela, e para a irmã, também uma amiga.

Feito o pedido, pedi a peça emprestada, pois já não lembrava dos detalhes de execução, e obviamente não tinha receita. Ao pegar a peça nas mãos, um mar de lembranças vieram à minha mente; vagarosamente, comecei a me lembrar de detalhes bobos, tais como o medo de costurar (ainda não totalmente superado), a junção dos quadrados, etc. Fiquei olhando, e pensei que poderia ousar um pouco sobre a peça original - que tal fitas de cetim?



Para a urdidura, escolhi um fio de algodão, de espessura média; para uma das peças (foto acima), usei um fio bouclé da Linea Italia, e para o outro, barbante n° 6 Barroco Círculo. As fitas de cetim usadas são n° 1, e procurei fazer uma seleção diferente de cores  para cada peça. As fitas eram colocadas de maneira que suas extremidades ficassem livres em ambas as laterais, o que facilitaria a junção entre as peças. Assim, pedaços de aprox. 20 cm de fitas de cetim foram cortadas para a trama, e dispostas em ponto tela conforme a foto.



Para a junção dos quadrados, as extremidades das fitas foram torcidas umas às outras, e uma a uma, pela parte do avesso. Para garantir a integridade da peça, passei costura à máquina por cima de cada junção.




Para os forros, escolhi dois tecidos estampados em tricoline:





















Fechei as laterais com crochê, costurei um bolso central e os velcros:


E estavam terminadas!


Ao final, fiquei feliz com o resultado, e com algumas idéias para o ano que vem. Foi ótimo voltar às origens e revisitar idéias antigas, que por algum motivo, ou vários, não sei, foram deixadas de lado. É  muito bom passar, de vez em quando, pelo túnel do tempo; há sempre trabalhos interessantes a serem resgatados; truques antigos, que trazem um ar diferente à peças do presente; doces lembranças de um tempo em que eu já achava o máximo trançar fios em um quadrado de madeira, e nem imaginava "pilotar" um tear de pedal. Com certeza, uma ótima viagem...
Até a próxima!