sábado, 1 de fevereiro de 2014

Cortar ou não cortar - eis a questão! (história de uma capa para tablet)

Minha última aventura em tecelagem foi divertida, com um toque de...pavor! já, já explico. Antes, vou mostrar aqui meu experimento (bem sucedido, diga-se de passagem) para a execução de uma capa para um tablet.  Desta vez, resolvi tirar fotos de vários momentos do processo, pois muita gente vê o produto pronto e não imagina qual o "ponto de partida". Aí, achei interessante postar desde o começo; não é um passo-a-passo, mas uma história boa pra contar.

Tudo começa com a escolha do material a ser utilizado. Para esta capa, eu usei o tear de pente liço 40 cm, um pente 3:1 (3 fios/cm), barbante colorido e chita, para cortar em tiras e utilizar durante a trama.


 
Cada um destes barbantes foram urdidos (urdideira), ou seja, os fios foram contados e organizados no tamanho desejado.

Depois começa o processo de urdidura do tear, ou seja, colocar todos os fios que foram urdidos esticados e passados pelo pente, um por um: um fio no orifício (liço) e um na fenda, na quantidade e distribuição de cores desejadas. 






 Pronta a urdidura, é hora de começar a trama. Optei por uma fita de chita, seguida por duas de barbante

 Avançando...



E por fim chegando ao final da trama e arrematando.



Aliviada a tensão dos fios, a trama tende a se organizar levemente, e temos então um pré-tecido, pronto para ser lavado.

A lavagem é essencial, pois como já disse em vários outros posts, acomoda os fios, fechando a trama, além de determinar o encolhimento e tamanho final da peça. Sendo assim, após a lavagem, temos, finalmente, um tecido:

Comecei então a calcular as medidas, de modo a fazer minha capa para um tablet 7". Vi, então que tinha feito mais tecido do que realmente precisaria, o que me levou a fazer o até então impensável: cortar o tecido.


E aí está a justificativa para o título deste post. Nós, tecelões do pente liço, temos verdadeiro pavor em cortar tecidos feitos à mão, por medo de simplesmente se desmancharem em nossos dedos. Este é um medo geral. Temos tanto cuidado ao urdir e tramar que no fim esquecemos que o resultado do nosso trabalho é...tecido, tal como o comercial. Claro, não é a mesma coisa, não dá para comparar a força da batida manual do pente com um tear industrial, mas o princípio é o mesmo, e basicamente nosso tecido tem que responder ao corte da mesma maneira que o industrializado. E foi com esse pensamento, e uma boa dose de oração, que medi a quantidade que precisava e passei a tesoura. Quando acabei, achei que teria que reaprender a respirar...rs...

Com cuidado, fui costurando, colando, posicionando...e ao fim da história, consegui montar minha capinha:

Fiz um modelo aberto, e aproveitei a mesma chita para fazer o forro. Com confiança renovada, cortei mais alguns pedaços do meu agora bravo e valente tecido, e fiz um bolsinho para o cabo USB e o fecho. Para segurar o tablet, coloquei dois elásticos, destes de prender cabelo. Costura à mão, um botão de madeira e mais um pouco de cola, e o trabalho estava completo.

E assim, eu e minha capinha seremos felizes para sempre... rs...

Moral da história: corte seu tecido, sem medo de ser feliz. Afinal, foi feito para isso!

3 comentários:

  1. Menina estou encantada com estes teus trabalhos, que coisa mais linda. Bom domingo.

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    1. Obrigada, minha amiga! Ótimo domingo para vc também!

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  2. Bem trabalhosa mais valeu a pena, ficou mto especial !!

    Beijos querida

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