sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Experimentos em viscose e algodão

Minhas histórias sobre peças que viram outras já estão ficando  famosas por aqui...gosto de imaginar que meus experimentos são bem sucedidos, de uma maneira engraçada, pois acabo por achar soluções, nem sempre tãaaaaao criativas, mas que de fato geram belos resultados. E sempre aprendo, o que é o mais bacana!
 Algumas semanas atrás comprei 3 novelos do fio Encanto, da Círculo, para experimentar. Achei interessante, pois é praticamente um cordão, bastante resistente, de viscose, e em cores muito vivas, com um brilho bem acentuado. Fiquei imaginando o que poderia ser feito no tear com este fio, e pensei em echarpe como uma idéia inicial. Montei o tear com um pente 2:1, e usei o Encanto Ouro como urdidura, de mais ou menos 20 cm de largura no tear. Para a trama, quis tentar algum fio que pudesse dar leveza e caimento, essenciais à uma peça a ser colocada no pescoço. Procurei entre meus fios, e achei um Anne metalizado (algodão mercerizado). Neste caso específico, não haveria balanceamento, ou seja, a urdidura seria muito mais grossa que a trama, mas resolvi começar. Fiz algumas duítes, mas já tinha percebido que não era uma idéia muito boa - o fio fino da trama estava cobrindo totalmente a urdidura, fazendo relevos - interessante do ponto de vista visual, mas extremamente enfadonho para ser levado até o fim, com o risco de ficar sem algodão na metade do trabalho. Parei, e fiquei imaginando meu próximo movimento... não queria desmanchar, mas também não queria seguir adiante daquele jeito. Olhei meu estoque mais uma vez, e pensei em usar o Fio Encanto Natural como um complemento à trama. Ficaria balanceado, mas a leveza...e aí minha idéia de uma echarpe começou a desaparecer...mas resolvi continuar, e comecei a acrescentar o novo fio.



 Comecei a alternar duítes de Anne com Encanto.E comecei a gostar do resultado, ainda que não fosse exatamente o que tinha em mente. Mas...outra idéia se desenhava - um outro centro de mesa...


E assim, fui fazendo, até que o fio Natural acabou. Neste momento, parei o trabalho também, e retirei do tear. Ao tocar o tecido, este era firme mas muito sedoso, e a trama tinha ficado lindíssima, modéstia à parte. O próximo passo: lavagem.




A lavagem promoveu um encolhimento no sentido da largura (onde havia algodão mercerizado), de mais ou menos 5 cm. empacotando a trama e acentuando mais ainda o desenho. Resolvi fazer ponto correntinha em ambas as laterais com o fio Encanto Ouro. Amarrei as franjas,e escondi na trama pelo avesso. A princípio, ficaria deste jeito, mas vi que havia sobras de urdidura que poderiam ser aproveitadas, e assim, coloquei 20 fios entrelaçados nos espaços onde estavam as franjas anteriores, que eram muito curtas (erro meu, cortei assim) para o que eu queria fazer.




E.. macramé nelas! fiz alguns testes, e por fim cheguei a alguma coisa que me agradou. Fiz os dois lados, e pronto, agora tinha um belo centro de mesa, que ficou chique...




Adorei, literalmente. A combinação destes fios ficou bárbara, e estão recomendadíssimos!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quebra-cabeças

Entre um trabalho e outro, lá estou eu de volta ao tear de pregos...e lá, sempre gosto de testar coisas novas. Gosto tanto que criei um grupo internacional no Facebook - Frame Loomers (https://www.facebook.com/groups/677218638987736/) para unir artesãos que, assim como eu, gostam destes teares . Durante a execução de jogos americanos, testei algumas padronagens que são feitas, em geral, em teares de pente liço ou quadros, e consegui reproduzir algumas bem interessantes. Uma delas lembra um quebra-cabeças, que na verdade são cataventos em três cores diferentes - tudo depende de como é visto.

Resolvi voltar à esse desenho, mas agora para a execução de um tapete. Novamente escolhi três cores, agora, roxo, magenta e lilás, e distribuí na urdidura:

Comecei o trabalho como já está mostrado, mas não gostei; aparentemente tinha alguma coisa faltando, e consegui identificar o erro. Desmanchei, e corrigido, o desenho começou a tomar forma:

Tudo depende de como se olha: para mim, são como peças de quebra-cabeças encaixadas entre os tons de lilás, mas também podem ser vários e vários cataventos em diagonal. Você decide!

Aqui, o gráfico feito no programa da Harrisville Designs, já apresentado a vocês. Caso alguém não tenha visto, segue link para download, gratuito: https://www.harrisville.com/Articles.asp?ID=253. É um software bastante simples de ser utilizado, mas com certa limitação de cores. Assim, tive que adaptar, mas ficou bem próximo do desejado.





Ao terminar, tirei do tear e fui arrematando as argolas, usando o fio magenta no final. 


Lavei, e como sempre, esperei pelo encolhimento - uns bons 6 ou 7 cm, para dizer a verdade. Mas, ótimo. E lindo! Temos então um tapete de 41 x 87 cm, partindo de uma forma de 50 x 100 cm. É preciso considerar, sempre, o quanto o tecido vai perder quando sai do tear e vem da lavagem. 





Cá está, em seu tamanho pós-lavagem. E pronto para ser exibido na loja! Ah, sim: usei fio de malha, com certeza!!!


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Caminho de mesa com fio Rede

Dia destes, resolvi comprar alguns fios novos da Círculo, que são na verdade faixas usadas como entremeio, ou seja, são crochetadas umas nas outras, para confecção de vestuário. Tais faixas me chamaram a atenção pela beleza das cores e também porque poderiam, assim como ocorre para tecido, serem usadas na tecelagem. Comprei 3 tipos: o Fio Crivo, Fio Tule (que literalmente é uma faixa de tecido), e o Fio Rede, que parece uma renda e foi minha escolha. Acertei as condições com o  pente 4:1 e escolhi como urdidura o fio Anne, na cor marrom (vide post anterior...comecei pelo fim, eu sei...), cortando mais ou menos uns 2,50 m os 100 cabos, que me dariam, no tear,  25 cm de largura.  Comecei, fazendo a base em ponto crochê correntinha. Com outro fio Anne, agora mesclado, fiz 5 duítes iniciais, e então, coloquei o fio Rede, esticado por entre os fios. Com o pente, apertei contra as duítes já feitas, e ficou assim como um fio, só que mais grosso que os outros, fazendo um relevo.

Na foto, os dois fios que eu estava usando na trama. Veja que, aberto, o Fio Rede é uma renda larga. Quando eu comprimia contra o algodão mercerizado, ele formava estas faixas mais grossas.


Aqui, o trabalho já um pouco mais adiantado. Usei a fita de maneira contínua, ou seja, sem cortar em pedaços, o que me deu um detalhe interessante nas laterais do trabalho - alças grossas contrastando com faixas estreitas.



O resultado foi este caminho de mesa, que na minha humilde opinião, ficou lindo! A largura final foi de 20 cm, depois da lavagem, com um comprimento de aprox. 1,20 m. Poderia ter ficado até mais comprido, mas...acabou meu fio Rede - usei 2 novelos (100 g) inteiros. No fim, um tratamento nas franjas, e pronto. Logo, à venda na loja!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Interlace

Acho que já andei falando de interlace por aqui, e é o tipo de trabalho que gosto demais, justamente por ser fácil e de efeito encantador. Desta vez, resolvi tirar algumas fotos do processo, para demonstrar como pode ser interessante ver duas cores se encontrando, se entrelaçando e voltando aos seus lugares de origem. O resultado parece uma pintura, mesmo, muito bonito de ver.

Eu comecei com uma urdidura no tear de pente liço, onde já estava o resto de um trabalho anterior, em linha Anne marrom. Escolhi, então, dois fios da Linea Italia (Allegro), em cores vivas e trabalhados em bouclé, bastante irregulares, um em tons de terra e laranja, e outro em tons de limão e marrom claro. Individualmente são bem diferentes, e talvez uma outra padronagem não os tornasse tão complementares, mas o interlace realmente "casou" as duas cores e está produzindo uma estampa única. Resumidamente, seguem as etapas do processo:


Aqui mostrando a urdidura que usei , toda em marrom, liso.



A foto mostra o trabalho já adiantado. Deve-se encher duas navetes, cada uma com uma das cores escolhidas, que partem de lados opostos no trabalho. Neste caso, a navete laranja parte da esquerda, enquanto que a navete verde claro parte da direita.



Em algum ponto do caminho, os dois fios se encontram. Veja que nesta foto, o fio verde passa por cima do laranja, mas o contrário também pode ser feito.

Levei as navetes para o centro novamente e entrelacei os fios, passando o fio verde por baixo do laranja, e voltei com as mesmas, do centro para fora. Veja que os fios se duplicam agora. Bati o pente e acertei as duítes. A cada mudança da posição do pente (embaixo ou em cima), eu repetia os mesmos movimentos, procurando entrelaçar os fios em posições diferentes (foto 2)


Depois de algum tempo, resolvi mudar as cores de lado. Bati o pente sem entrelaçar.



Mudei a posição do pente, e então continuei a executar o interlace conforme já havia feito anteriormente.


E continuo, agora com as cores trocadas.


Ainda não terminei este tecido, mas a idéia é que vire uma bolsa para ser usada em transversal. Mais fotos, logo, logo!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Cortar ou não cortar - eis a questão! (história de uma capa para tablet)

Minha última aventura em tecelagem foi divertida, com um toque de...pavor! já, já explico. Antes, vou mostrar aqui meu experimento (bem sucedido, diga-se de passagem) para a execução de uma capa para um tablet.  Desta vez, resolvi tirar fotos de vários momentos do processo, pois muita gente vê o produto pronto e não imagina qual o "ponto de partida". Aí, achei interessante postar desde o começo; não é um passo-a-passo, mas uma história boa pra contar.

Tudo começa com a escolha do material a ser utilizado. Para esta capa, eu usei o tear de pente liço 40 cm, um pente 3:1 (3 fios/cm), barbante colorido e chita, para cortar em tiras e utilizar durante a trama.


 
Cada um destes barbantes foram urdidos (urdideira), ou seja, os fios foram contados e organizados no tamanho desejado.

Depois começa o processo de urdidura do tear, ou seja, colocar todos os fios que foram urdidos esticados e passados pelo pente, um por um: um fio no orifício (liço) e um na fenda, na quantidade e distribuição de cores desejadas. 






 Pronta a urdidura, é hora de começar a trama. Optei por uma fita de chita, seguida por duas de barbante

 Avançando...



E por fim chegando ao final da trama e arrematando.



Aliviada a tensão dos fios, a trama tende a se organizar levemente, e temos então um pré-tecido, pronto para ser lavado.

A lavagem é essencial, pois como já disse em vários outros posts, acomoda os fios, fechando a trama, além de determinar o encolhimento e tamanho final da peça. Sendo assim, após a lavagem, temos, finalmente, um tecido:

Comecei então a calcular as medidas, de modo a fazer minha capa para um tablet 7". Vi, então que tinha feito mais tecido do que realmente precisaria, o que me levou a fazer o até então impensável: cortar o tecido.


E aí está a justificativa para o título deste post. Nós, tecelões do pente liço, temos verdadeiro pavor em cortar tecidos feitos à mão, por medo de simplesmente se desmancharem em nossos dedos. Este é um medo geral. Temos tanto cuidado ao urdir e tramar que no fim esquecemos que o resultado do nosso trabalho é...tecido, tal como o comercial. Claro, não é a mesma coisa, não dá para comparar a força da batida manual do pente com um tear industrial, mas o princípio é o mesmo, e basicamente nosso tecido tem que responder ao corte da mesma maneira que o industrializado. E foi com esse pensamento, e uma boa dose de oração, que medi a quantidade que precisava e passei a tesoura. Quando acabei, achei que teria que reaprender a respirar...rs...

Com cuidado, fui costurando, colando, posicionando...e ao fim da história, consegui montar minha capinha:

Fiz um modelo aberto, e aproveitei a mesma chita para fazer o forro. Com confiança renovada, cortei mais alguns pedaços do meu agora bravo e valente tecido, e fiz um bolsinho para o cabo USB e o fecho. Para segurar o tablet, coloquei dois elásticos, destes de prender cabelo. Costura à mão, um botão de madeira e mais um pouco de cola, e o trabalho estava completo.

E assim, eu e minha capinha seremos felizes para sempre... rs...

Moral da história: corte seu tecido, sem medo de ser feliz. Afinal, foi feito para isso!

Pulseiras artesanais

Olá, pessoal! escrevi este artigo para o site Faz Fácil e gostaria de convidá-los a saber um pouquinho sobre algumas técnicas de manufatura de pulseiras artesanais. O artigo está divido em 3 partes, e a primeira, que trata de pulseiras feitas em macramé,  já está disponível no site:



http://www.fazfacil.com.br/artesanato/pulseiras-artesanais-macrame/

Aprendi muito escrevendo este artigo, tanto que estou animada para fazer as minhas próprias pulseiras... e espero estimular a todos da mesma maneira. Bom divertimento!